quarta-feira, 19 de junho de 2013

Onde estão as estrelas gospel?





A cada dia que passa sinto menos apreço pelas lideranças evangélicas de nossa nação. É impressionante como a motivação para se ajuntar só envolve interesses próprios e causas que lhes rendam poder de barganha na politicagem putrefata do Brasil. Como boa parte daqueles que se auto elegeram líderes evangélicos estão mancomunados com toda espécie de sujeira política, fica difícil conclamar seus seguidores a abraçar uma bandeira que vá além do jihad contra os homossexuais. Logo somos convidados a orar pela nação como se não estivéssemos orando em todo tempo pela intervenção de Deus na história. Desde criança tenho fome e sede de justiça e todos os dias oro para que a injustiça se amenize a minha volta. Agora é hora de orar agindo. É agora que as estrelas gospel precisam se posicionar, saírem às ruas, descerem dos palcos e parar com a ladainha profética de que “o Brasil é do Senhor Jesus”. Nós não estamos no camarote vip da arena da vida, estamos escrevendo a nossa história lutando com os leões. Façamos a nossa parte abraçando causas que valham à pena, pois quando a igreja se cala as pedras começam a clamar. 

Jonatas Oliva

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Qual é a sua bandeira?




Às vezes me preocupo com as bandeiras que a igreja evangélica brasileira tem levantado. Não que a causa não valha a pena, mas a intensidade e as motivações tem se mostrado antagônicas aos princípios evangélicos. O medo de ver alguma lei aprovada, a ganância para se chegar ao poder, o amor ao dinheiro e a vontade de homogeneizar pensamentos são muitas vezes as causas pelas quais os líderes “evangélicos” tem ajuntado multidões. A força da igreja evangélica já é percebida na política, nos meios de comunicação, na economia, na música, porém no testemunho essa mesma igreja tem se tornado insignificante. A igreja Cresceu numericamente, mas perdeu o coração no meio da caminhada por isso se tornou menor que a igreja de 50 anos atrás. Não é possível que nossa causa se limite eternamente no confronto a PL 122, não é possível que ainda tenhamos que ouvir a ladainha sem fim dos pastores milionários que tentam legitimar suas fortunas. Ando cansado das mesmas discussões! Nos falta profundidade e nos sobra arrogância. O amor à Deus e ao nosso próximo se transformou em discurso deixando de ser a principal bandeira a ser hasteada. As causas pelas quais a igreja evangélica brasileira deveria lutar são as mesmas pelas quais Jesus deu a sua própria vida.


Jonatas Oliva



domingo, 27 de janeiro de 2013

Investindo no que vale a pena



Não são poucas as vezes que me assusto com essa geração. A superficialidade relacional do nosso tempo chegou a níveis tão rasos que dificilmente encontraremos amizades que resistam às intempéries da vida, dificilmente encontraremos também uma fé que não se abale diante de uma tempestade imprevista. Nosso relacionamento horizontal e vertical foi profundamente afetado por essa superficialidade. Adoecemos a ponto de não percebermos o quanto nossas relações estão próximas da sepultura. É triste limitar o mundo a um simples compartilhar, comentar ou curtir algo no facebook, pior ainda é pensar que verdadeiras amizades se solidificam na tela de um computador. Mas, o que me deixa realmente apavorado é perceber que essa doença relacional se espalhou como metástase em todos os órgãos da vida, afetando em cheio o nosso relacionamento com Deus. Campanhas infindáveis lotam os templos de pessoas vazias que se iludem com a proposta de alcançar bênçãos imediatas colocando em prática uma fé que na verdade não passa de uma moeda que tenta comprar o favor de Deus, as pessoas se esqueceram de que não é Deus que está sujeito a nossa fé, é nossa fé que precisa estar sujeita a Deus. O desinteresse pela bíblia, a supervalorização do gospel e as jihads denominacionais e entre irmãos também refletem nossa crise.

Para quem deseja realmente se aprofundar em um relacionamento sério e relevante com Deus eu sugiro o investimento em quatro áreas da vida cristã e são elas:

I-                   “A palavra”                       Ouvindo Deus através da bíblia

Deus fala de muitas maneiras e eu não duvido disso, mas Deus fala poderosamente também através da sua Palavra. Aliás, a palavra de Deus é luz para os nossos caminhos (Salmos 119:115), é a palavra de Deus que precisa ser guardada no coração (Salmos 119:11), nós perecemos é por falta de conhecimento da palavra e do poder de Deus (Mateus 22:29), é ouvindo a palavra de Deus que a fé se fortalece em nosso coração (Romanos 10:17), é a palavra de Deus que nos fortalece, pois segundo a visão que Deus revelou a Ezequiel cap. 02 e 03 a palavra precisa ser digerida, precisa cair no estômago, ela precisa estar dentro de nos. É uma pena que muitas pessoas hoje em dia prefiram se alimentar de revelações de profetas mentirosos, oportunistas, muitas vezes imaturos que no fervor de suas emoções oferecem um prato de profecias regadas a jargões simplistas que dificilmente alimentará os anseios mais profundos da alma. Uma das coisas que tem gerado um esgotamento espiritual repentino na vida de muitas pessoas é o tipo de comida com que elas têm se alimentado. Se não ouvirmos Deus falar através de Sua palavra, toda vida espiritual estará aquém daquilo que o Senhor deseja, nossa oração será apenas composta de palavras soltas ao vento, nossa adoração será paupérrima e nossa vida espiritual se definhará até morrermos de tanta fraqueza.

II-                “Oração”               Falando com Deus no silêncio do nosso quarto

Depois de ouvirmos Deus falar sentiremos a necessidade de respondê-lo. Essa resposta muitas vezes é dada em oração. Orar na igreja é uma benção, o clamor coletivo às vezes é necessário, receber a imposição de mãos juntamente com a oração da fé é preciso, mas não podemos nos esquecer que um dos melhores lugares que existem para nos encontrarmos com o Pai é no silêncio do nosso quarto (Mateus 06:06), lá nós somos o que realmente somos e é nesse lugar que tem o nosso cheiro que o Pai quer que desvendemos os segredos mais profundos do coração. Deus está pouco interessado no nosso vocabulário, ou na introdução meio e fim de nossa oração, mas com toda certeza Ele está muito atento a sinceridade que salta do nosso coração. É na intimidade do nosso quarto que Deus quer ouvir a nossa voz, enxugar as nossas lágrimas e nos levar a águas tão profundas a ponto de ficarmos extasiados com seu amor.

III-              “Adoração”           Adorando a  Deus por tudo que Ele é, faz, fez e ainda fará

Quando nos encontramos com Deus é impossível não adorá-lo. Prostrar-nos diante daquilo que Ele é, faz, fez e ainda fará é a primeira ação que temos quando somos tomados pela consciência de sua presença. Agora o que precisamos entender é que a adoração está para além do som produzido pela boca ou de algum instrumento. A música, louvor (do hebraico halal, “barulho”) pode estar encharcada de adoração, mas a adoração (do hebraico shachac, prostrar-se) nem sempre se manifesta através de músicas, louvor. Uma das cenas mais marcantes de adoração no NT é quando uma mulher sem proferir uma só palavra se lança aos pés de Jesus em profunda reverência e os lava com suas lágrimas enxugando-os com seus cabelos e perfumando todo ambiente com ungüento (Lucas 07:37...), isso é adorar! Eu não sou adorador porque sou músico, sou adorador porque me prostro diante do Senhor da vida. Muitas vezes assim o faço com um novo cântico em minha boca, acompanhado de violões, guitarras, baterias e danças, porém em outras tantas vezes me prostro no mais profundo silêncio reconhecendo a soberania de Deus sobre todas as coisas.

IV-             “Comunhão”          Não estamos sozinhos na caminhada

Se lermos a palavra todos os dias, orando em todo o tempo, adorando em toda e qualquer situação, mas não amarmos o nosso irmão, estaremos caminhando para o inferno ajoelhados, com os olhos fechados e com a bíblia debaixo do braço. Não há possibilidade de andar na luz odiando nossos irmãos na fé ( I João 03). Precisamos amar quem Deus ama, simples assim. Não existe cristianismo solitário e se queremos nos aprofundar num relacionamento sério com Deus não podemos nutrir ódio por ninguém que é alvo da sua graça. Se depender de nós precisamos ter paz com todos, fazendo com que nossa identidade seja o amor. Não podemos fugir da bacia e da toalha, lavemos os pés uns dos outros, pois a caminhada é longa e todos nós sujamos os pés em algum momento do percurso.


“A superficialidade é a maldição de nosso tempo. A doutrina da satisfação instantânea é antes de tudo, um problema espiritual. A necessidade urgente hoje não é de um maior número de pessoas inteligentes ou dotadas, mas de pessoas profundas.” Richard J. Foster



Jonatas Oliva



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

2012 prestes a virar história




Há menos de uma semana para o fim de 2012 começo a rever meus planos, também faço uma retrospectiva da minha vida e tento chegar a algumas conclusões. Confesso que parte das minhas conclusões me deixa frustrado, por exemplo: meu Deus... Não emagreci, aliás, acho que engordei um pouco mais! Rsrsrsrsrs! Outras me catapultam para projetos maiores, como: caminhei para mais perto de Jesus e sei que posso me aproximar mais d’Ele.

Com certeza não sou o mesmo homem de dezembro de 2011, pois: “o tempo que passa deixa em nós muitas marcas”. Desci algumas vezes a casa do Oleiro e saí com a certeza de que o Artesão de minha vida sabe o que está fazendo. A minha família cresceu dentro de mim, por isso percebi que tenho me tornado um homem mais apaixonado pelas pessoas que me cercam de carinho. Nesse ano chorei perdas e celebrei amizades, escrevi menos e cantei mais, me tornei um homem habilitado (CNH) e ganhei um violão para cantar as coisas do coração, preguei o evangelho em todas as oportunidades que Deus me concedeu, viajei como nunca, ampliei minhas tendas relacionais, fiz dívidas e quitei boa parte delas, recebi ofertas e ofertei com enorme alegria, corri, andei e houve momentos que precisei parar, sentar e mudar.

Sou grato a Deus pela Sua insistência comigo, pelo Seu perdão que me alcançou depois dos tropeços, pelo Seu amor que se dilatou dentro de mim e pela Sua paciência diante da minha enorme ignorância. Sei que sou igual a todos os homens, por isso preciso melhorar. Meus planos para 2013 não são tão diferentes daqueles para 2012, visto que mudei, mas continuo o mesmo. Talvez o maior desafio para esse novo ano que se desponta seja o de guardar meu coração, pois é dele que procedem todos os caminhos da vida.



Jonatas Oliva

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Silas Malafaia e seu samba de uma nota só



Essa semana alguém me perguntou sobre um tal de desafio que o Silas Malafaia propôs em seu programa de TV, no início fiquei curioso para saber que desafio era esse, mas quando comecei a ouvir o samba malafaiano de uma nota só, desanimei. Confesso que já ouvi algumas pregações do Silas de 1997 à 2002 mais ou menos. Antes de 1998 a voz altissonante da igreja evangélica brasileira era indiscutivelmente o Caio Fabio, o Silas por sua vez tinha um programa simples e meio brega e eu achava aquele homem de bigode tão estranho que resolvi ouvi-lo algumas vezes. Se não me engano o programa “Vitória em Cristo” do Malafaia antecedia o “Pare e Pense” de Caio Fabio. Poucas pessoas sabiam quem era o Malafaia salvo quem o acompanhava no 25ª hora e um grupo não tão grande de assembleianos. Em 1998 com o caso extraconjugal do Caio e com a avalanche do Dossiê Cayman a igreja se sentiu traída pelo seu porta voz, foi aí que ficou uma grande lacuna a ser preenchida com relação a liderança e com relação a quem falaria pelos evangélicos depois de todo aquele escândalo. Foi aí em 1998 que nasceu o Silas para o Brasil, ele se candidatou a porta voz dos evangélicos e boa parte da igreja o aceitou.

A partir de 1998 o até então “ilustre desconhecido” Silas Malafaia começou ganhar espaço na TV com a brecha deixada pelo Caio Fabio e com um discurso contrário a Teologia da prosperidade visando alcançar parte da igreja tradicional. O Silas se posicionou contra o G12 com muita veemência no início do movimento no Brasil, foi então que ele ganhou a admiração de parte da igreja que não digeria muito bem aquele novo mover. Contudo depois de algum tempo o Silas começou a mudar, tirou o bigode para não ser confundido com o ratinho, coisa difícil de desvincular, rsrsrsrs. Depois disso o Silas se tornou o inimigo nº1 do LGBT e passou a ser um defensor disfarçado da Teologia da prosperidade. Desde então o que tem cercado o Silas são assuntos relacionados ao acúmulo de riquezas, e a sua luta pela não aprovação da plc 122. O Malafaia se tornou matemático rsrsrsrs, brincadeira, mas os números é o que passou a justificar todas as suas ações, os números e os cifrões também passaram a legitimar suas loucuras e calar os que discordam dele.

Então voltando ao assunto do desafio, confesso que não tive alma para ouvir a mensagem até o fim, aliás, quando ele leu o texto de II Coríntios 09 sobre a coleta da igreja para os crentes pobres de Jerusalém e começou a defender sua apostasia fazendo desse texto a base de sua pregação, não tive mais estomago para ouvi-lo. Me desculpem, mas não tenho muito o que falar de mais essa loucura malafaina, e a melhor resposta será dada pelo próprio dono do rebanho. O grande exemplo de oferta é a do próprio Cristo que se entregou por todos nós, se desfazendo de sua glória, se vestindo de humanidade para andar entre os homens dessa terra, inclusive anunciando o evangelho aos pobres sem esse apelo a semeadura financeira. A semente mais importante que foi sempre enfatizada pelo Mestre é a do Evangelho que é capaz de enriquecer a alma e nos tornar melhores nesse mundo. Sugiro ao Malafaia que se desfaça de seus impérios para que o impacto de sua mensagem chegue aonde precisa realmente chegar, mas como já sei que ele não escuta um ilustre desconhecido fica a dica pra quem deseja chegar onde ele está.

Alguns Links de respostas:








Jonatas Oliva

terça-feira, 29 de maio de 2012

ESGOTADOS NO CAMINHO


Na minha caminhada “evangélica” tenho me deparado com pessoas de todos os tipos: entusiasmadas, inocentes, apaixonadas, ortodoxas, liberais, farisaicas, imaturas, maduras, sinceras... Há todo tipo de crente espalhado nos mais diversificados apriscos da vida. Mas um tipo em especial vem me preocupando em demasia, são os crentes que se exaurem no meio da caminhada, aqueles que perdem o coração antes do fim do caminho. Essas pessoas se tornam extremamente frias, negativistas, cansadas, raivosas, descrentes e vazias. Algo lhes suga o que há de bom e o que resta são apenas testemunhos saudosistas de quem se frustrou crendo que dias melhores viriam. É triste vermos gente boa na periferia da vontade de Deus, debruçadas sobre a fadiga e se alimentando de frustrações.

As causas para essa exaustão espiritual são diversas, mas com toda certeza todo o problema começa no prato onde as pessoas estão se alimentando. A boa comida espiritual anda escassa por isso os crentes andam comendo qualquer coisa que lhes vem à boca. A falta de discernimento aliada à superficialidade dessa geração tem nos fragilizado a ponto de termos dificuldades de julgar as coisas mais simples da vida. A leitura da Palavra foi substituída pelos DVDs de pregação e os tele evangelistas ganham a cada dia status messiânicos a ponto de não poderem ser questionados em meio as suas loucuras descomunais. A dificuldade de se estudar a Palavra abrange parte dos pregadores que por sua vez se contentam em papagaiar os jargões cansativos e inócuos de quem é o sucesso da vez.

Além do veneno que as pessoas jogam para dentro de si muitas vezes sem saber, há também um sério problema relacional que se debruça sobre o fato dos “crentes” acreditarem que são avaliados ou aceitos por Deus devido ao bom desempenho no serviço cristão. Nesse sentido quem faz muito se sente confortável em exigir seus direitos e quando a recompensa não é a esperada aí bate a sensação que Deus não é um bom patrão. Por outro lado quem não consegue acompanhar os “super crentes” se sentem frustrados por não terem os “super poderes”. Assim as pessoas adoecem, são tomadas de amnésia, se enfraquecem simplesmente por não enxergarem Deus como Pai. A igreja nos ensina a chamar Deus de Pai, mas muitas vezes nos leva a relacionarmos com Ele como se fossemos escravos. Tem muita gente parecida com o moço mais velho da parábola do filho pródigo, nunca saíram de casa, porém nunca conheceram o Pai amoroso que tinham perto de si, são filhos que vivem como escravos. Não podemos esquecer que o amor de Deus por nós não tem nada haver com o que fazemos e sim pelo que somos. Nós não obedecemos para sermos amados, obedecemos porque somos amados.

No nosso tempo a falta de compreensão do que é fé também tem matado muita gente, pois não são poucas as pessoas que acham que Deus precisa se submeter a nossa fé. A grande verdade é que nossa fé é que precisa se submeter à vontade de Deus e não o contrário. Fé não é a moeda que compra Deus. A fé me lança nos braços de Deus em plena confiança ela nunca me coloca no “sindicato dos crentes inconformados, insatisfeitos e revoltados”. Se temos fé então confiamos, se temos fé em Deus logo confiamos nEle independente das circunstâncias ou do dia mal que chega sem a gente chamar. A fé em Deus abre os nossos olhos para que o enxerguemos no trono e é essa a visão que nos libertará do sofrimento de querer controlar as circunstancias que sempre nos escapam por entre os dedos.

Eu acredito que só existe um Caminho para o renovo. Para os que já se esgotaram se faz necessário refazer a caminhada de volta para casa do Pai e aceitar o amor de um Pai que nunca desistiu de esperar pelo filho que se perdeu. Para os que estão de pé é imprescindível continuar seguindo as pisadas de Jesus, ou seja, continuar no Caminho que conduz ao centro da vontade do Pai.

                                                                                                                         Jonatas Oliva


segunda-feira, 30 de abril de 2012

O livro do Apocalipse



O livro do Apocalipse é instigante e belo, a começar pelo fato de ser o único livro da bíblia que carrega em si uma promessa de bem-aventurança para quem o lê, “Bem-aventurado aquele que lê e guarda as palavras desta profecia” Ap 01:03. Na minha adolescência eu o li algumas vezes, e com minha cabeça de adolescente viajava com todas aquelas figuras de linguagem, para mim aquilo era quase uma aventura hollywoodiana. Sempre me embaraçava com os números e quase sempre chegava a conclusão que para entender aqueles cálculos eu teria que entrar em uma faculdade de matemática ou de física quântica, de maneira nenhuma decorava as seqüências de acontecimentos ali descritos, isso sem falar que eu não sabia se o que estava escrito já tinha acontecido ou ainda iria acontecer. Em minha busca sincera pela interpretação correta do texto me engajei em longas pesquisas e discussões infindáveis com Aminelistas, Pré-milenistas, Pós-milenistas e todos os “istas” que me esbarrei ao longo da caminhada.

Confesso que continuo embaraçado com os números e quase tudo que leio, ouço ou que tenho a dizer sobre o apocalipse continua no campo teórico. As divergências sobre o que é ou não literal variará de acordo com os fundadores de cada pensamento e cada simpatizante teórico defenderá seus argumentos com dificuldades em responder questões relacionadas à cronologia de acontecimentos futuros e a literalidade ou não do que vai acontecer. Porém em algumas coisas todos devem concordar:
  • O fim de tudo o que é conhecido e o início de um novo tempo é um fato inamovível em todas as escrituras e é reafirmado com contundência em todo o Apocalipse
  • Deus está no trono, essa é uma verdade gritada em toda profecia apocalíptica, o Todo Poderoso não perdeu e jamais perderá o controle de nada
  • Deus julgará todas as coisas e não haverá possibilidade de se ocultar nada diante dEle
  • Um dia o caos se instalará em todos os setores da vida, e os poderes que regem a política, religião, ciência e economia serão abaladas, e quase tudo entrará em colapso
  • Aparecerá um líder mundial extremamente carismático e com poderes inimagináveis
  • São as forças espirituais que colocarão em funcionamento as engrenagens que desencadearão os acontecimentos do fim
  • Os acontecimentos escatológicos não são apenas de cunho local, são de cunho global e cósmico
  • Satanás continuará sendo um inimigo vencido mesmo que por um pequeno espaço de tempo ele vença os santos através da vontade permissiva de Deus
  • A eternidade com Deus é infinitamente melhor do que a limitação do nosso presente com Ele, e a eternidade sem Deus é infinitamente pior do que o presente sem Ele
  • A perseverança e o triunfo andarão sempre de mãos dadas


Jonatas Oliva

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Olhando para dentro


Certas coisas jamais poderiam cair no esquecimento, outras deveriam ser esquecidas o quanto antes. Nós temos uma tendência terrível de guardarmos o que não precisa e o que é importante descartamos com muita facilidade, foi pensando nisso que cheguei a conclusão que nosso coração pode ser um grande lixão fétido tomado por moscas, ratos, baratas e escorpiões, ou pode ser uma fonte de água viva, um Oasis de graça e poder. Portanto nós podemos decidir de que forma iremos caminhar na vida, Deus nos dá a liberdade de também escolhermos os fardos a serem levados no caminho, e o que pavimenta o caminho do sucesso ou do fracasso em nossa história é exatamente a forma que caminhamos e os fardos que levamos. Deus não deseja que ninguém piore chegando ao fim da vida exalando o mau cheiro da alma em putrefação, quem anda com Deus não fede morte, quem anda com Ele se perfuma com o bom aroma da vida. Não há espaço para lixo no coração de quem se entrega verdadeiramente a Cristo. Deus nos lava, nos purifica, nos justifica, nos santifica para que nos tornemos mais parecidos com Ele a cada dia. Esse é o maior triunfo de quem anda com Deus: ir sendo transformado a Sua imagem e semelhança. Olhar para dentro se faz necessário para quem não deseja ser uma grande farsa, precisamos saber o quem tem enchido o nosso coração, pois é dele que procedem todos os caminhos da vida.

Jonatas Oliva

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Súplica reeditada
Ricardo Gondim

Pai nosso e dos exilados, dos deprimidos, das meninas vendidas à prostituição, dos curdos, das aeromoças, dos ianomâmis, dos carvoeiros, das juízas, dos mineradores chineses, dos médicos legistas, dos cabelereiros, das noviças, dos poetas, das atrizes, dos teólogos, das massagistas, dos meus filhos e netos, dos ateus, das motoristas de ônibus, dos carcereiros.

Que estás no céu, na terra, no vácuo, no hades, no patíbulo, na floresta, na sala de hemodiálise, no cabaré, na UTI, no acampamento dos sem-terra, na catedral, na sala de tortura, no asilo de velhos, no botequim, no matadouro, no quartel, na ambulância, no escafandro, no aeroporto, no palco, na piscina, no hospício.

Santificados sejam o teu nome, a ideia que fazemos de ti, o livro que escrevemos sobre ti, a música que cantamos sobre ti, os planos de paz que organizamos pensando em ti, a mulher que tocamos por seguirmos a ti; e o futuro que sonhamos por ousarmos te chamar de Pai.

Venha o teu reino. Sentimos a urgência não de ir até aí, mas de demonstrar aqui neste planeta diminuto a aspiração que está no além. Queremos nos enraizar neste chão para fazer algo novo, algo que se sobreponha ao que já se construiu na história. Acontece que somos inadequados, claudicantes e egoístas. Incentiva-nos a querer mostrar lampejos do que seria a vida se vivêssemos, minimamente, teus valores. Faze-nos subversores do inexorável, sabotadores das sinas, revolucionários do amanhã. Precisamos da esperança que desvela outra realidade, outro mundo, outra forma de viver.

Seja feita a tua vontade na terra como ela é feita no céu. Desde a criação decidiste que homens e mulheres tomariam os rumos da história. Tu assinalaste a eles a responsabilidade de disseminar bondade e não crueldade, equidade e não injustiça, criatividade e não opressão, liberdade e não escravidão. Anima-nos para que possamos incubar vida, parir oportunidade, perenizar o bem e assim estreitar esse abismo que nos separa de tua morada.

O pão nosso de cada dia, nos dai hoje, mas que este pão nos alimente física, emocional e espiritualmente. Não nos deixe satisfeitos com a ração que nos apequena em nossa humanidade. Temos fome de sentido, carecemos de afetos, ansiamos por beleza, desejamos transcendência. Dá-nos gula de palavras; e que as palavras, transformadas em versos, nos saciem de eternidade. E que as parábolas, temperadas de metáforas, se transformem no banquete que nos salva no dever inclemente de sobreviver, só sobreviver.

Perdoa a nossas dívidas bem como as ofensas grosseiras de quem ataca a adolescente, o homossexual, o pobre, o negro, o cigano, o gari, o porteiro, a babá, o garçom, o pedreiro, o trovador, a enfermeira, a maria-ninguém. Somos cruéis uns com os outros, lentos em reconhecer a dignidade alheia. Mordazes, desaprendemos a respeitar dores. Inclementes, desonramos sonhos. Insensíveis, não paramos para ouvir queixas. O perdão nos livra dos grilhões que nos aferramos com o endurecimento. Precisamos de misericórdia, antídoto que nos salva do veneno que tentamos inocular nos outros. Falta-nos a percepção que revidar só expõe a soberba de nos achar melhores e mais privilegiados que os demais.

Assim como perdoamos aos nossos devedores, não nos deixa aspirar de ti nada além do que fazemos pelo próximo. Não te sintas obrigado a nos absolver mais do que absolvemos, a nos compreender mais do que compreendemos, a nos proteger mais do que protegemos. A régua que medirmos deve ser a mesma que esperamos ser aferidos. Que nossa balança não se vicie. E que nós nos identifiquemos no próximo, única forma de amá-lo.

Não nos deixe cair em tentação. Livra-nos do mal, que é a desgraça de cobiçar poder, honra e glória. Lembra-nos: cobiçar poder transforma anjo em diabo e homens em demônios. Que não nos iludamos com caminhos largos, com brilho intenso ou com segurança de riqueza sem fim. Desperta-nos para a vida do Nazareno que desprezou valer-se do divino em sua árdua trilha humana. Sem apelar para poderes sobrenaturais, ele se fez gente. Foi grande porque não fugiu da morte estúpida e banal que os opressores lhe impuseram. Dá-nos a serenidade de não nos seduzir pela mentira de que existe outra senda senão a que ele escolheu.

Amém.

Soli Deo Gloria

sábado, 24 de dezembro de 2011

2012 nos espera...


O mundo começa a ganhar outra cara: Bin Laden se foi, os ditadores no Oriente Médio estão entrando em extinção, os países emergentes ganham as primeiras páginas dos jornais, a Europa já não é mais como antes, o Facebook virou febre, a morte de Steve Jobs deixou uma geração inteira com a sensação de orfandade, o Brasil deixou de ser referência no futebol, corrigir o filho deixou de ser sinal de amor e passou a ser considerado crime, EUA assumiu não ser onipotente, o CQC não terá mais Rafinha Bastos e nem Danilo Gentili como seus integrantes, Silas Malafaia se tornou o porta voz da “igreja evangélica no Brasil”, as favelas do Rio de Janeiro estão se pacificando, o mundo inteiro começa a cantar uníssono: “ai se eu te pego... ai ai se eu te pego...”e Fátima Bernardes não apresentará mais o Jornal Nacional.

A nova cara do mundo é tão velha quanto o próprio mundo. Algumas coisas mudam de lugar, mas continuam sendo o que sempre foram. A humanidade continua a mesma e caminhando para o mesmo lugar, os pecados se repetem, os esforços altruístas das minorias continuam, os avanços na direção do bem continuam a passos de tartaruga, a ganância dos homens continua sendo a engrenagem que move a sociedade, a arte continua sendo arte, os insubstituíveis continuam lotando os cemitérios, a TV continua a mesma com suas programações enfadonhas, e assim caminha a humanidade.

Eu estou no mundo e reconheço que não posso encarar um novo ano sem a pretensão de melhorar, preciso de uma nova cara, mas não quero me parecer com esse mundo. A proposta do evangelho é que nos pareçamos com o Mestre, por isso nesse ano de 2012 pretendo amar mais, pretendo também não me embaraçar nos arames farpados da amargura, nesse próximo ano quero enxergar com os olhos da graça, quero amar o que Deus ama e odiar o que Ele odeia, pretendo me doar às causas nobres, e me esforçarei para não perder o coração no tempo que me resta. Não sei o que me espera no ano de 2012, contudo não pretendo ser surpreendido ao me olhar no espelho e perceber que me tornei tão diferente de Jesus.

Um bom ano a todos!


Jonatas Oliva


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os meus líderes


Infelizmente nos dias de hoje os meus referenciais de liderança tem se reduzido a poucas pessoas que considero como realmente relevantes. Sinto-me extenuado diante dessas lideranças que precisam de um holofote, uma câmera, um microfone ou uma grande multidão para exercerem a autoridade profética, alias, são poucos, muitos poucos aqueles que não mercadejaram a própria alma e ainda tem alguma autoridade profética para exercer. O sucesso dos mestres da mídia evangélica já deixou de me cativar a tempos. Não me iludo com esses números mirabolantes que envolvem cruzadas milionárias em nome de Deus, pois se essas cruzadas traduzissem a realidade de conversão, o Brasil inteiro e parte do mundo já estariam convertidos ao evangelho. Tenho me deparado com excelentes pregadores, cantores, administradores, animadores, empreendedores... Mas confesso que tenho garimpado muito para achar bons pastores, adoradores despretensiosamente santos, homens e mulheres que consigam ser relevantes mesmo quando não são observados ou aplaudidos pela multidão.

Felizmente nem tudo está perdido. Ainda existem pessoas entre nós do qual o mundo não é digno, e são essas pessoas que, mesmo sem ser celebradas pela crescente multidão gospel, arrancam de mim uma gratidão eterna e um desejo enorme de caminhar na contramão do mundo. Boa parte dos meus referenciais de liderança provavelmente não serão lembrados nos estudos da História da Igreja e nem serão mencionados como heróis da fé. Mas não tem problema, acho que eles mesmos ficariam desconfortáveis com os aplausos dos homens. Muitas dessas pessoas que me discipularam e ainda me discipulam na vida não sairão do anonimato e a certeza que rasga meu coração é que na eternidade cada uma receberá a coroa de glória que está prometida por Aquele que galardoará cada um segundo o seu trabalho. Os meus referenciais na vida são na verdade grandes presentes de Deus que procurarei cultivar para sempre no meu coração e imitá-los na minha caminhada.


Jonatas Oliva

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Se servindo para servir



Deixando Ele a sinagoga, foi para casa de Simão. Ora, a sogra de Simão achava-se enferma, com febre muito alta; e rogaram-lhe por ela. Inclinando-se Ele para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou; e logo se levantou passando a servi-los. Ao por do sol , todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias, lhos traziam, e eles os curava, impondo as mãos sobre cada um. Também de muitos saiam demônios, gritando e dizendo: Tu és o filho de Deus! Ele porém os repreendia para que não falassem, pois sabiam ser Ele o Cristo.

Lucas 04: 38-41

O que é uma febre diante de uma possessão demoníaca? Ou o que é uma “febrizinha” diante de uma lepra? Isso é o que muita gente pensa olhando para esse texto, visto que ele se encontra entre duas histórias tensas, onde o milagre se manifestou entre os destroços de pessoas completamente arrebentadas. Gostamos de categorizar as dores e criar o “top dos dez piores sofrimentos”. Ainda bem que com Jesus não é assim! Lepra não é um problema maior do que uma rejeição, Ele dá atenção a um coxo, mas também cura um gago, ele expulsa demônio de um jovem, mas cura também a febre de uma mulher. Pra Jesus nossa dor sempre é dolorida, independente de ser metástase ou não. Por isso Ele dá atenção a todos nós sem questionar se temos ou não motivos para chorar. Ele enxuga nossas lágrimas, Ele nos pega no colo se arranharmos ou se nos quebrarmos ao cair dos penhascos da vida.

A sogra de Pedro estava com uma febre que poderia matá-la, logo ela se tornou alvo da intercessão de alguém, e na vida também é assim. Nem sempre os enfermos conseguem gritar ou se arrastar entre a multidão, às vezes se faz necessário que um amigo peça por quem desfalece. O intercessor tem sempre o seu lugar na história, quem intercede se parece com Cristo e talvez uma das maiores necessidades da igreja não seja de pessoas mais inteligentes, mais ricas, mais poderosas; talvez uma das maiores necessidades da igreja seja de pessoas capazes de se compadecer com a dor alheia e interceder com a intensidade de quem ama de verdade.

Jesus se inclinou para a mulher e deu ordens para que a febre fosse embora e a febre a deixou, pois a voz de Jesus é mais poderosa que qualquer anti-térmico que venha a ser desenvolvido. A mulher que estava morrendo de febre de repente se levantou e passou a servir a Jesus e a todos que estavam ali. Ela se serviu da graça para poder servir o Senhor da graça. Seria bom se todos que um dia se serviram da graça de Deus tivessem essa mesma atitude da sogra de Pedro, mas infelizmente não é assim na maioria dos casos. Boa parte das pessoas que são tocadas pelas mãos de Jesus se enclausura em suas ambições e se tornam demasiadamente vagarosas no serviço cristão. Passar a servir depois de ser servido é a grande lição que precisamos aprender. Jesus nos serviu, agora resta-nos abraçar a bacia e a toalha e servirmos uns aos outros em amor.

O aroma da graça se espalhou de uma forma tão rápida naquela cidade e em suas redondezas que em pouco tempo a casa que abrigava uma mulher que jazia em febre e foi curada, de repente foi tomada por enfermos e endemoniados de toda natureza. Jesus atraia multidões porque amava, Ele sempre se compadeceu daqueles que vagueavam de um lado para o outro como se fossem ovelhas sem pastor. Aquela casa se transformou em um hospital porque o Médico dos médicos estava ali. O Jesus dos evangelhos tem esse poder de mudar o ambiente, trocando o desespero pela esperança, matando a morte e gerando vida, expurgando o ódio e semeando a paz.

Jonatas Oliva

quinta-feira, 10 de novembro de 2011


International Christian Concern pede oração urgente pelo pastor preso Youcef Nadarkhani que recebeu a notificação de que será executado sob a acusação de "apostasia" - a conversão do islamismo para o cristianismo - e aguarda agora o veredicto final do tribunal.

O pastor Youcef Nadarkhani, líder da igreja em Rasht, no Irã, foi preso em 13 de outubro de 2009 por questionar a prática de educação islâmica de estudantes cristãos - incluindo seus próprios filhos – que obriga a leitura do Alcorão na escola. Sua execução, inicialmente prevista para 24 de outubro, foi adiada para uma data desconhecida pelas forças de segurança na esperança de que Youcef renunciasse a Cristo e voltasse ao islamismo. Uma vez que o veredicto final do tribunal é entregue, o pastor Youcef terá 20 dias para recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

A esposa do pastor Youcef, Fatemeh Passandideh, foi presa em 08 de junho e sentenciada à prisão perpétua. No entanto, depois de uma apelação, ela foi liberada após uma audiência dia 11 de outubro. Embora sua esposa tenha sido absolvida, é improvável que o seja concedido o mesmo ao marido pois a sua atividade cristã era mais proeminente e sua acusação mais grave.

Em uma carta à comunidade cristã internacional, o pastor Youcef tomou coragem e consolou os cristãos ao redor do mundo: "O que temos hoje, é uma, mas não insuportável situação difícil, porque Ele não nos prova mais do que a nossa fé pode suportar... Devemos considerar essas situações e as prisões como uma oportunidade para testemunhar o Seu nome."

Ore para que o pastor Youcef Nadarkhani encontre coragem e confiança no Senhor. Ore também para que se for vontade de Deus, ele seja liberado e se não, que ele exemplifique a Cristo e dê glória a Deus em seu chamado para sofrer pelo nome de nosso Salvador.

Ore pela esposa do pastor e seus dois filhos para que Deus sustente-os durante este período de grande provação. E que eles permaneçam firmes na fé e perseverem em face da tirania e da perda.

Ore pelos cristãos iranianos para que não sejam intimidados ou se cansem, mas compartilhem o Evangelho com coragem e procurarem orientação do Senhor e a graça diariamente.

Lembre-se dos presos, como se estivésseis presos com eles, e aqueles que são maltratados como se vocês estivessem sofrendo. Hebreus 13:3, NVI

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

E Jesus entrou no templo


“Entrou Jesus no templo, e expulsou a todos que vendiam e compravam, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: a minha casa será chamada casa de oração, mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. Vieram ter com ele no templo cegos e coxos, e ele os curou. Vendo então os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e as crianças clamando no templo: Hosana ao filho de Davi, ficaram indignados. E perguntou-lhes: ouves o que estes dizem? Respondeu-lhes Jesus: sim, nunca lestes: da boca de crianças e pequeninos tiraste o perfeito louvor? E deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde passou a noite.”

Mateus 21:12-17

O templo onde Jesus entrou era o lugar para onde se convergiam os religiosos judeus e seus simpatizantes, esse também era o endereço onde se concentrava quase todo comércio religioso judaico. O templo pode ser muita coisa dependendo de quem esteja lá: ele pode ser um grande comércio se lá estiverem comerciantes e compradores, pode também ser um maravilhoso clube social se lá estiverem os associados, o templo pode até ser uma empresa se nela estiverem seus diretores e seus empregados. Definitivamente, o que faz do templo o lugar de oração não são as paredes, sua história ou sua placa, são as pessoas que o habitam que tem o poder de torná-lo sagrado ou profano. Quando Jesus entrou no templo Ele percebeu que aquele lugar estava fétido, Deus não estava ali. O próprio Cristo disse que é impossível servir a dois senhores, nesse caso ou Jesus entrava e os cambistas saíam ou os cambistas ficavam e Ele saía. Jesus ficou e limpou todo o ambiente. A grande verdade é que Ele deseja fazer isso nos templos, sejam de pedras ou sejam de carne, seja na organização ou seja no organismo a faxina precisa acontecer.

Depois de limpo o que era concentração de ladrões se tornou numa grande concentração de fé e milagres. Deus tem esse poder de transformar ambientes. Os ladrões deram lugar aos doentes e aí sim o templo voltou a ser o que nunca deveria de ter deixado de ser: Casa de oração, Templo da misericórdia o lugar onde a graça de Deus é derramada de forma abundante. Os necessitados só encontrariam refúgio num lugar onde Jesus estivesse presente e reinando. Os cegos e os coxos não estavam ali pela beleza do lugar e sim pela grandeza do Nazareno.

Com Jesus no templo os doentes foram acolhidos e as crianças se tornaram em referência de adoração. Talvez por isso muitos religiosos se esforcem para colocar Jesus do lado de fora do templo e até de suas vidas, pois a presença de um Deus que não mercadeja á fé incomoda quem precisa comercializar até a alma do povo. Jesus se indignou vendo o templo se transformar em covil de ladrões e os ladrões se indignaram ao ver Jesus transformar o covil em templo. Naquele dia as crianças entraram no templo e deram aula para sacerdotes, escribas e levitas, e o grito que elas fizeram ecoar entre aquelas paredes derrubou a fortaleza da religiosidade que para nada prestava, a não ser para alimentar a ganância de quem lucrava com o que não é comercial.

Jonatas Oliva


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não espere de mim o que você não espera de você



Porque as pessoas querem que os outros sejam o que elas mesmas nunca foram? Bem, acho que a frustração de não ser tudo o que sempre se sonhou é uma das respostas, sendo assim é mais fácil cobrar a mudança do outro do que assumir o fracasso de nunca ter mudado. Algumas pessoas têm fobia de espelho e fogem de suas imagens como o diabo foge da cruz. Colocar no outro a responsabilidade de ser uma pessoa melhor é mais fácil que melhorar. Cobrar santidade é mais fácil que ser santo, esperar o amor do próximo é mais fácil que amá-lo, exigir o pedido de perdão é infinitamente mais fácil que pedir perdão. Querer que o outro seja perfeito é extremamente cômodo, pois assim fazendo teremos sempre um motivo para condenar quem quer que seja, visto que ninguém é perfeito. Sempre acharemos pessoas para apedrejar, o problema é achar quem possa lançar a primeira pedra sem ter que por a máscara da hipocrisia. Os homens precisam se reconciliar com o espelho antes de apontar o dedo em riste, todos nós precisamos passar pelo banco dos réus antes de querermos ser juízes do próximo, nosso desafio é o de nos desfarizaisar, pois só assim estaremos livres de cobrar dos outros o que não tivemos coragem de cobrar de nós mesmos.




Jonatas Oliva

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Jesus está no templo?



Certa vez os discípulos de Jesus o chamaram e lhe mostraram a estrutura do templo em Jerusalém. Aquele templo havia sido reconstruído após o retorno dos israelitas do cativeiro e reformado por Herodes, o grande, tornando-se uma das maravilhas do mundo. O templo, que já havia sido construído, destruído, refeito e reformado era imponente por sua beleza, mas Jesus não se impressionou com toda aquela arquitetura. Aliás, Jesus não se impressiona com nossas arquiteturas, pois quase sempre, o que construímos, não passa de casebres de babel. Segundo Jesus, toda aquela construção não passava de pedra sobre pedra.

A relação de Jesus com o “templo sagrado” sempre foi bastante tensa, talvez por isso Ele não tenha construído nenhuma basílica. O lugar que Ele sempre desejou estar é naquele que Ele mesmo criou, ou seja: no nosso coração. Os grandes templos só serão grandes de verdade se o Senhor dos senhores lá estiver, pois a grandeza de um lugar não se mede por metros quadrados, mas sim, pela glória de quem o habita. “Aqui está alguém que é maior do que o templo” disse Jesus certa vez. Todos nós sabemos que as pedras ficarão e o que subirá um dia, são os templos de carne e osso que carregam em si o Espírito de Deus. Todos nós sabemos dessa verdade, mas vivemos como se ela não existisse. Nosso interesse em impressionar os homens com nossas arquiteturas muitas vezes inviabilizam nossa missão como igreja. Muitas pessoas nem concebem a idéia de existir uma igreja fora desse arquétipo de pedras sobre pedras.

As organizações, as placas, as instituições, as pedras que vão se erguendo sobre pedras tem sua importância, desde que tudo isso esteja entranhado no evangelho. Toda construção que não se erguer sobre a “Rocha” um dia se transformará num montão de entulho que para nada presta, a não ser para ser pisado pelos homens. E definitivamente, não precisamos de uma réplica do templo de Salomão no Brasil, precisamos sim de pessoas que sejam templos de Deus onde quer que estejam.




Jonatas Oliva

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mateus 06:25-34 (Deus, pássaros, flores, eu e você)


No auge do seu ministério Jesus chama os discípulos para lhes ensinar como descomplicar a vida, e para isso ele conduz seus aprendizes pelo caminho da simplicidade. Olhem para as flores e para os pardais, esse deve ser o primeiro passo para quem quer ser feliz. A ansiedade precisa ser substituída pela celebração do que Deus faz. Se Deus alimenta pássaros e veste as flores desde a criação do mundo por que Ele deixaria de cuidar de vocês?

Infelizmente os homens desaprenderam a confiar em Deus, por isso, viver se tornou uma tarefa tão difícil. Quem não vê a mão de Deus nas pequenas coisas dificilmente O verá nas grandes e complicadas questões da vida. Olhar para as flores e para os pássaros não é perda de tempo, pelo contrário, é terapia para coração e aprendizado para os sábios.

Olhando para os pássaros e para as flores é que chegamos à conclusão de que a vida é um presente de Deus e não o resultado do esforço de pessoas que não acrescentam nem um côvado ao curso da sua própria história. Os pássaros e as flores gritam a verdade de que somente nas mãos de Deus encontraremos o que de verdade precisamos e é em meio ao grande coral de pássaros e no meio do sofisticado desfile das flores que entendemos que Deus requer uma entrega sem reservas, Ele deseja estar em primeiro lugar na vida de todos nós porque para Ele nós já estamos no topo das prioridades.

Jonatas Oliva

terça-feira, 14 de junho de 2011

Na minha viagem...


Decidi caminhar com pessoas que ainda saibam amar, pois a viagem é longa e quem perde o coração perde também o rumo

Escolhi deixar meus fardos para trás, eles eram pesados demais para mim, hoje o único fardo que carrego é o de Jesus, afinal de contas ele é leve e suave

Resolvi pisar onde Jesus pisou, na verdade suas pegadas não foram apagadas da história e são elas o único mapa que pode me conduzir a vida eterna

Desisti dos atalhos, pois é no percurso mais longo que se encontram as belezas que ainda arrebatam minha alma

Resisti aos gritos de quem queria me arrastar para periferia da vida

Jonatas Oliva